segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

COMENTÁRIO - SCARCELA JORGE - 20 DE JANEIRO DE 2014

COMENTÁRIO
Scarcela Jorge.

PROTESTAÇÃO DO POVO.

Nobres:
Não para de repercutir a intensidade dos protestos promovidos por manifestações saídas nas ruas sobre as poucas ações do governo nas áreas da saúde educação e segurança tripé que direciona a ansiedade da população espalhada em todo o território brasileiro. O país pode não ter despertado de vez, nem ter se transformado como sonhavam os ativistas, mas já não é o mesmo. Motivados inicialmente pelo alto custo e a baixa qualidade do transporte público nas capitais e nas principais cidades do País, os protestos deixaram para os governos uma forma de desenvolver esses problemas gerados quando muito em laboratórios políticos interiorizados entre “salas” sem a devida sensibilidade da população. Em seguida, miraram os investimentos da Copa, com a ressalva: “Não é contra a Seleção, é contra a corrupção”. Em outras mensagens escritas, os manifestantes passaram a exigir “Saúde padrão FIFA” e, a pedir segurança e alertar a classe política de que “Ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil”. Diante de apelos transcritos também em pôsteres com referências os clássicos da música brasileira como “Brasil, mostra tua cara” e “O dia vai raiar, sem lhe pedir licença”, dirigentes brasileiros dispuseram-se finalmente a ouvir mais a voz das ruas, a discursar e a ostentar menos, a mudar a agenda, a fazer diferente, a reconhecer erros. Em muitas capitais, (contrário das pequenas cidades do interior que segmento da sociedade, especialmente os servidores públicos, tem receio dos prefeitos e naturalmente são compelidos a “apoia-los” ocultando os atos escusos gerenciados de sua lavra), e nos grandes centros metropolitanos do País a discussão não se limitou, no momento a mobilidade urbana é tema central, o espaço público entrou na pauta da sociedade e se firma como símbolo da mudança. O Planalto se deu conta da gravidade do estado da saúde pública. Mas, por enquanto, as mudanças são percebidas mais por meio de iniciativas polêmicas, como o Mais Médicos, enquanto persiste o medo nas ruas e os professores continuam longe de ter “o salário de um deputado e o prestígio de um jogador de futebol” e a simples diária de um prefeito que a qualquer pretexto se desloca de seu município, maior que o valor do piso salarial dessa categoria. O Congresso preocupou-se em impor mais rigor a crimes envolvendo corrupção, tornou suas votações mais transparentes em alguns casos, facilitando o acompanhamento por parte dos cidadãos. Continua, porém, devendo uma reforma política ampla. Ampla o suficiente para levar os eleitores a recuperar a confiança perdida em seus representantes escolhidos pelo voto. Apesar da representação de toda sociedade engajada pelo movimento  não conseguiu tornar reais todos os desejos manifestados naquela ocasião. Depois de junho de 2013, porém, o relacionamento entre instituições públicas e privadas com seus públicos, nelas incluídas a própria mídia, nunca mais será o mesmo. O legado das manifestações populares terá mais consistência se contribuir para reforçar a cidadania e a ética entre os brasileiros. Pena que a outra porção da sociedade que habita no interior, por arras, sente a ausência dos setores de base, principalmente a saúde, “justificada” com muito “blá-, blá-, blá-”, de forma natural e com muita ironia, sempre na ânsia - que o poder é eterno - em função de um “acerto” por interação da compra de consciências sejam convictos por esta relação imperiosa e escandalosa venha instar pela inconsequente sobrevivência.

Antônio Scarcela Jorge.

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