sexta-feira, 30 de maio de 2014

COMENTÁRIO - SCARCELA JORGE - SEXTA-FEIRA 30 DE MAIO DE 2014

COMENTÁRIO
Scarcela Jorge.

CONJUNTURA GERAL DE REPRESENTATIVIDADE.

Nobres:
A tendência, evidenciada nas manifestações de rua a partir de junho do ano passado, é preocupante, e não apenas pela perspectiva de aumento no número de paralisações para aproveitar a visibilidade da Copa. O direito de greve é uma conquista das sociedades democráticas. Ainda assim, empregados, empregadores e governantes precisam ter interlocutores claros e legitimados. Sem o atendimento dessas exigências mínimas, o risco é de que todos percam e os prejuízos são maiores para quem depende dos serviços paralisados. Aqui não há greve, mas há serviços praticamente paralisados em função da inercia e inabilidade de gestão. Em termos mais acentuados e a todos os níveis de governo, também o problema ocorre, entre outras razões, porque, embora aleguem defender interesses de diferentes categorias, na prática os sindicatos se voltam cada vez mais para questões políticas e disputas de cargos em órgãos governamentais. Mesmo com as mudanças instituídas pela Constituição de 1988, a atuação desses organismos mudou pouco desde a Era Vargas. Com raras exceções, essas instituições estão mais a serviço de governos e de partidos políticos do que de seus filiados, numa clara deformação de suas atribuições. E tudo isso é bancado pelo imposto sindical pago anualmente pelos trabalhadores, equivalente a um dia de salário, reforçado por contribuições criadas mais recentemente. O aprofundamento desse peleguismo, gerado por um modelo ultrapassado e autoritário, tornou-se mais visível com a popularização do acesso a redes sociais. Em consequência, há uma crescente insurreição de integrantes das chamadas bases contra os dirigentes. Na prática, isso significa que um acordo fechado num dia pode não valer nada no outro. As entidades de defesa dos interesses de categorias específicas precisam se adequar à realidade, buscando mais pluralismo e independência em relação ao poder público. A falência do modelo sindical brasileiro é danosa para a democracia, que precisa de interlocutores representativos para garantir o cumprimento de acordos. Hoje dirigentes sindicais “alugam compadrios” para ocupar assessorias de governo, tanto no âmbito dos municípios é clarividência nas respectivas composições de assessorias e Pastas, estabelecendo uma visão de subserviência, onde deveria ser mérito, contraditoriamente irrelevante e se torna desconhecido.

Antônio Scarcela Jorge.

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