sábado, 13 de setembro de 2014

SUCESSÃO PRESIDENCIAL - PROGRAMAS ELEITOREIROS A MELHOR FORMA DE SE GANHAR ELEIÇÕES

 MARINA REBATE CRÍTICAS E DIZ QUE DILMA CRIOU O 'BOLSA BANQUEIRO'

Candidata à Presidência pelo PSB criticou atual política de juros do governo. Em visita a Betim e BH, ela também falou sobre escândalos na Petrobrás.

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, rebateu nesta terça-feira (9) críticas feitas pela campanha da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, contra suas propostas para a área econômica. Em visita a Betim (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, Marina disse que a petista criou em seu governo a "bolsa banqueiro", em referência aos gastos do governo com sucessivos aumentos na taxa de juros.

"Ela disse que ia ganhar, vai baixar os juros, e nunca os banqueiros ganharam tanto quanto no seu governo. E agora, eles que fizeram a bolsa empresário, a bolsa banqueiro, à bolsa juros altos, estão querendo nos acusar, de forma injusta, nos seus programas de TV e rádio", afirmou a candidata do PSB.

Desde que o PSB lançou a proposta de dar autonomia ao Banco Central – que estabelece a taxa básica de juros da economia, para controle da inflação – a campanha de Dilma tem dito que a medida seria um "perigo para o país". Peças da propaganda eleitoral lançadas na internet dizem que dar independência ao BC "é tirar do presidente da República e do Congresso Nacional, as decisões sobre a política econômica do país para entregá-las aos bancos".
Ela disse que ia ganhar, vai baixar os juros, e nunca os banqueiros ganharam tanto quanto no seu governo. “E agora, eles que fizeram a bolsa empresário, a bolsa banqueiro, à bolsa juros altos, estão querendo nos acusar, de forma injusta, nos seus programas de TV e rádio”

O programa de Marina, lançado no fim de agosto, diz que a independência do BC permitirá ao órgão "praticar a política monetária necessária ao controle da inflação". "Como em todos os países que adotam o regime de metas, haverá regras definidas, acordadas em lei, estabelecendo mandato fixo para o presidente, normas para sua nomeação e a de diretores, regras de destituição de membros da diretoria, dentre outras deliberações", diz o texto.

Mais tarde, durante entrevista à imprensa em Belo Horizonte, Marina classificou de "leviana" a acusação de que entregaria o país a banqueiros. Ela disse que, enquanto no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), os bancos lucraram R$ 31 bilhões, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), os lucros subiram para R$ 199,46 bilhões "e mais ainda que já foram entregues aos bancos".

"O próprio presidente Lula é quem vai falar porque foi ele que disse 'não tem nenhum lugar do mundo em que o Santander esteja ganhando mais que no Brasil. Aqui, ele ganha mais do que em Nova Iorque, em Londres, em Paris, Pequim, Madri, Barcelona'. Lula disse isso  em 27 de julho de 2014. Ele mesmo é que está sendo pego pelas suas próprias palavras", disse.


Pela manhã, Marina comentou recentes escândalos envolvendo a Petrobras e disse que Dilma trocou cargos na estatal pelo tempo de TV de seus partidos aliados. A declaração foi dada em um discurso na Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte, onde dezenas de militantes acompanharam a fala da presidenciável do PSB.

Segundo Marina, os 11 minutos a que a presidente tem direito no horário eleitoral se devem a parcerias com os senadores José Sarney (PMDB-AP), Fernando Collor (PTB-AL), Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o deputado Paulo Maluf (PP-SP).
"A Dilma tem 11 minutos na televisão em troca de cargos para destruir a Petrobras como acontece agora, com a corrupção", atacou Marina na capital mineira. A candidata se referiu a um suposto esquema de pagamento de propina a política por contratos fechados com a estatal. O caso foi denunciado pela revista "Veja", a partir do depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato.

A ex-senadora ainda criticou a campanha de Aécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, dizendo que ele tem cinco minutos de campanha e que, se vencer a eleição, ele deveria atribuir a vitória a uma campanha com dinheiro e estrutura.

Sobre propostas, a ex-senadora reiterou que vai manter projetos que deram certo no atual governo, como Bolsa Família, mas que vai corrigir erros que ainda existem nos programas. A candidata disse ainda que pretende implantar a escola integral dentro do programa Bolsa Educação, garantir o passe livre a estudantes e alocar 10% da arrecadação bruta do país na saúde.

A candidata rebateu uma crítica de Dilma Rousseff sobre o pré-sal, e disse que quem é contra o pré-sal são aqueles que estão acabando com a Petrobras, em referência ao suposto esquema de pagamento de propina a políticos, delatado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava-Jato. No programa eleitoral do rádio da manhã desta terça-feira, a candidata à reeleição disse que a senadora do PSB é contra o pré-sal.

Governo com 'melhores do PT e PSDB.

Em entrevista coletiva no comitê do PSB em Belo Horizonte, Marina Silva (PSB) disse que, caso seja eleita, pretende governar com nomes que estão nos "bancos de reservas" do PT e do PSDB. Segundo Marina, o objetivo é aproveitar políticos que têm bom trabalho, mas estão relegados a segundo plano nas duas legendas.

"Vamos, sim, governar com os melhores, com aqueles que estão nos bancos de reservas do PT e do PSDB. Essas pessoas que hoje estão acanhadas, com vergonha do que está sendo feito e do que está sendo dito", disse. Perguntada sobre um nome que estaria na reserva, a candidata respondeu que o senador Eduardo Suplicy (PT) é um nome "simbólico".

Mesmo dizendo que vai aproveitar nomes dos partidos dos seus dois maiores adversários, Marina disse que acredita na governabilidade de sua chapa porque "ela se dará em cima de um projeto". De acordo com a candidata, os quadros de carreira para as empresas estatais serão prioridade. E nas agências do governo federal, os cargos serão ocupados por profissionais "competentes, honestos e independentes" e não somente apadrinhados de partidos.

Marina ainda criticou as propagandas políticas de Aécio Neves e Dilma Rousseff, dizendo que elas são caluniosas. "PT e PSDB sofrem da síndrome de Estocolmo [doença em que o paciente nutre amizade ou amor pelo seu agressor]. Se apaixonaram pelos sequestradores dos seus sonhos".

Fonte: G1 – MG.


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