quinta-feira, 18 de setembro de 2014

COMENTÁRIO - SCARCELA JORGE - QUINTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2014

COMENTÁRIO
Scarcela Jorge.

DESEMPENHO DO LEGISLATIVO NO PROCESSO DE GOVERNO E DO ESTADO BRASILEIRO.

Nobres:
No momento da campanha eleitoral devemos proclamar com intensidade propostas saudáveis que certamente encontrará receptividade junto aos nossos segmentos sociais. Dentre esta razão é que mais de um candidato, entre os atuais pretendentes à Presidência da República, defende mecanismos de democracia direta para governar o país. São ideias sedutoras principalmente para uma população que acumula históricas decepções com seus representantes parlamentares, mas também contêm riscos que precisam ser evidenciados para que os eleitores por ingenuidade ou desconhecimento, não acabem concedendo salvo-conduto para aventuras autoritárias tipo bolivarianismo chavista. Em primeiro lugar, é importante lembrar que a Constituição de 1988 abriga duas formas de participação popular no nosso sistema de governança: a democracia indireto-representativa, que tem no voto o seu principal instrumento de interferência dos cidadãos; e a democracia direto-participativa, expressa por plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular. Nossa democracia representativa não está funcionando a contento, é preciso reconhecer. Os detentores de mandatos políticos nem sempre atendem às demandas de seus representados e o Parlamento, considerando-se todas as instâncias, está entre as instituições pior avaliadas pelos brasileiros. Esta realidade insofismável, evidenciada nos protestos de rua do ano passado, tem motivado governantes e candidatos a lançar mão de propostas pouco claras, no sentido de fragilizar ainda mais o sistema representativo. Há quem fale em plebiscito para tudo (notadamente para a reforma política, que esbarra nos interesses dos parlamentares), há quem sugira a criação de conselhos populares e, embora nem sempre se fale abertamente, alguns candidatos e correntes políticas flertam com um eufemismo chamado democratização da mídia, que na verdade oculta o desejo de censurar os meios de comunicação independentes. Ora, nossa democracia representativa pode ser qualificada sem que se precise recorrer a tais experiências, especialmente às que já se mostraram danosas em outros países. A participação popular deve, sim, ser incentivada. É melhor ter cidadãos propositivos do que indiferentes. Mas esta participação maior pode começar com a escolha criteriosa dos legisladores, para que as assembleias e os parlamentos passem a exercer efetivamente o seu papel constitucional de elaborar as leis, fiscalizar o Executivo e representar dignamente todos os brasileiros indubitavelmente racionais para o exercício democrático.

Antônio Scarcela Jorge.

Nenhum comentário:

Postar um comentário