domingo, 14 de setembro de 2014

COMENTÁRIO

DESILUSÃO POLÍTICA.

Aproximamo-nos de mais uma eleição geral, que renovará os quadros do Executivo e do Legislativo brasileiros, em nível federal e estadual. A campanha desenrola-se nas ruas e nos meios de comunicação, onde candidatos prometem o paraíso na terra a cidadãos muitas vezes ingênuos ou desinformados acerca das atribuições de um senador ou de um deputado federal, por exemplo. É um festival de rostos sorridentes, rogando a cada eleitor que neles deposite seu voto de confiança, pois, se eleitos forem, trabalharão para melhorar a saúde, a educação e a segurança pública. Muitos deles são figuras com longa estrada na política estadual ou nacional, já tendo exercido sucessivos mandatos nas casas legislativas, geralmente sem corresponder às expectativas populares. São raros os que aí se colocam diante da população e realmente atuaram de forma prática em benefício do povo. Há até quem tenha se notabilizado mais por escândalos do que propriamente por sua atuação política, mas que, na maior cara de pau, novamente vem a público, nos programas eleitorais, pedir "a confiança do eleitor" em seu nome. Haja paciência! De minha parte, calejado como sou em eleições, já me desiludi com toda essa lengalenga de promessas, de ideias novas que raramente se concretizam, de soluções apresentadas como se dependessem apenas da vontade de quem as propõe para que sejam materializadas. São complexos os mecanismos da política, no Brasil ainda mais agravados pelo "toma lá, dá cá" das chantagens, trocas de favores, maracutaias e esquemas. É muito fácil a proposição de planos para supostamente resolver as chagas nacionais tão conhecidas. Mas sabemos que as coisas não funcionam assim. Há marchas e contramarchas. Ideias até bem intencionadas não vicejam, pois muitas vezes a engrenagem do sistema corrupto mói a minoria de políticos que tentam corresponder ao interesse coletivo. Sei que a democracia, com todos os seus defeitos, é ainda a melhor forma de renovação política. Porém, sou cético diante do que aí está, em termos de disputa eleitoral e dos velhos vícios sob os quais esta se desenvolve.

*Gilson Barbosa

Jornalista.

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