domingo, 10 de maio de 2015

COMENTÁRIO - SCARCELA JORGE - DOMINGO, 10 DE MAIO DE 2015

COMENTÁRIO
Scarcela Jorge.

CENÁRIO DEVASTADOR.

Nobres:
Estamos no Brasil essencialmente corrupto e hoje temos a primazia de ser um país que professa a roubalheira em todo mundo. Por esta razão largamos idealizar que, ao final dos processos da Lava-Jato na Justiça, nós tenhamos certeza de que sabemos quase tudo sobre a corrupção na Petrobras, os nomes de todos os diretores ladrões, os empreiteiros corruptores, os políticos. Não restará nenhuma dúvida sobre a máfia do superfaturamento de obras, que transformou servidores da estatal em mandaletes e financiou campanhas com dinheiro sujo, inclusive o liberado com o carimbo de “doação legal”. Saberemos como PT, PP e PMDB viciaram-se no esquema. E como políticos do PSDB, do PSB, do DEM e outros recebiam dinheiro farto, “mas sob o manto da lei”. E terá conhecimento detalhado das penas impostas, prisão, ou prestação de serviços comunitários, ou doação de cestas básicas. Mas tudo o que soubermos da Lava-Jato estará incompleto se a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça forem incapazes de esclarecer o caso Pedro Barusco. Se não desvendar o mistério Barusco, a “operação Lava-Jato” terá sido enrolado pelo mais talentoso farsante do esquema. Se Pedro Barusco for considerado, até o fim do processo, o único ladrão avulso, todos os envolvidos na investigação e no julgamento do caso terão de admitir que comeram pela mão dos delatores. Teremos então de chamar o Batman para desmascarar o Coringa da Petrobras. O ex-gerente que arrecadou US$ 97 milhões é o mais poderoso de todos os personagens da Lava-Jato. Tombaram os empreiteiros, os presidentes e diretores da Petrobras e os políticos. Mas Barusco, impávido, solto, ganhou um pedestal exclusivo, é o único ladrão desirmanado. Confessou à Justiça e à CPI que roubava desde 1997 ou 1998, durante o governo do PSDB. Parte do dinheiro já foi recambiado da Suíça. E ele continua a dizer que agia sozinho. Pilantras sempre atuam em quadrilhas, nos governos, nas empresas, nas ruas e agora na internet. Barusco não. Ele começou, no tempo dos tucanos, a trajetória única de ladrão isolado na Petrobras. Se, ao fim da Lava-Jato, prevalecer a versão de que o ninho dos US$ 97 milhões era chocado apenas por Barusco, uma ave de terceira linha, algo terá dado muito errado ou, dependendo do ponto de vista, muito certo.
*Antônio Scarcela Jorge
Jornalista.

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