CPI: governo depende de fidelidade da base.
05.04.2014
Coleta de assinaturas para a
ampliação do foco da investigação mostra a rebeldia de parte dos aliados.
Brasília. A
atuação independente de parte da base aliada na Câmara, notadamente o
"blocão" comandado por Eduardo Cunha, líder do PMDB, levará o governo
a depender da fidelidade quase integral de sua base no Senado na Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras. A coleta de assinaturas para
a ampliação do foco da investigação, articulada pelo governo, mostra a rebeldia
de parte dos aliados, que cooperou mais com o pedido de apuração da oposição
que restringia o tema à estatal. No PMDB, foram 38 os deputados que apoiaram a
investigação nos termos propostos pela oposição, inclusive o líder Eduardo
Cunha.
Na apresentada pelo governo,
somente oito peemedebistas assinaram e o comandante da bancada não apoiou.
Também integrante do "blocão", o PR deu 21 apoios à investigação
proposta pela oposição e 13 à do governo. O líder Bernardo Santana de
Vasconcellos (MG) só apoiou a CPI exclusiva sobre Petrobras.
Governo e oposição avaliam que a
atuação desses dois partidos se repetirá na CPI que deverá ser instalada nas
próximas semanas, na esteira da revelação pelo jornal O Estado de S. Paulo de
que a presidente Dilma Rousseff deu aval ao negócio que causou prejuízo à
estatal.
Os líderes já tornaram pública a
intenção de atuar diretamente na investigação. O PTB também deve ter uma vaga
na comissão e tende a atuar em aliança com PMDB e PR. Juntos, devem ter quatro
assentos na investigação de acordo com a proporcionalidade de suas bancadas.
Líderes das legendas afirmam que
a tendência é de levar adiante a investigação acatando iniciativas da oposição,
no formato do que tem acontecido na Câmara em relação à convocação de
ministros, criação de uma comissão externa para investigar denúncias contra a
Petrobras na Holanda e a própria criação da CPI. PSDB, DEM, PSB e Solidariedade
deverão ter quatro vagas na comissão e contam com os votos do
"blocão" para levar adiante linhas de atuação que desgastem o
Planalto.
Temer critica
A abertura de uma CPI da
Petrobras teria resultado prático zero, avalia o vice-presidente da República e
presidente de honra do PMDB, Michel Temer. Para ele, o interesse em abrir a
investigação só pode ter razões eleitorais. "Eu sou contra a abertura (da
CPI) por uma razão jurídica óbvia", disse o vice-presidente ontem, a um
pequeno grupo de jornalistas em Nova York. "Qual a razão para uma CPI? Só
pode ser uma razão eleitoral", afirmou o vice-presidente.
Fonte: - Agência Senado.




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