sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

COMENTÁRIO SCARCELA JORGE - SEXTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2016

COMENTÁRIO
Scarcela Jorge

PRECEITO CONSTITUCIONAL.

Nobres:
Mesmo sendo uma enganação, uma mentira, padrão do governo lulista, toda a sociedade se torna inconsciente (exceto os ladrões do poder e os fanáticos, ignorantes e os permanentes governistas que se interagem ou não desta nação religiosamente lulista) adotam para os fanáticos como sendo “golpismo” uma alusão reveladora de ditaduras, de esquerdas principalmente dos anarquistas de origem ora “clausulam” o Poder como sendo eternos. Por este aspecto rogamos a Constituição de 88 de excelência democrática, que, em caso de vacância da Presidência, o cargo será ocupado de acordo com a regra sucessória que a própria Carta estabelece. O primeiro da lista é o vice-presidente; se este não puder, o segundo será o presidente da Câmara; por fim, o presidente do Senado. Em caso extremo, se os três forem impedidos, caberá ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) a tarefa de gerir transitoriamente o país até a convocação de novas eleições. Definida a ordem sucessória, vamos concretizá-la com os nomes que atualmente a representam: se Dilma sofrer impeachment por ter cometido crime de responsabilidade (as tais “pedaladas fiscais”), entra o vice Michel Temer, mas, se o TSE concluir que houve caixa dois na campanha de 2014, o peemedebista também acabaria cassado. A vez, então, é do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujas estripulias com contas na Suíça e acusações de recebimento de propinas da Petrobras colocam em risco sua permanência na presidência da Câmara e no mandato. Por fim, se tudo der errado com os três, o Brasil passa a ser governado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Oxalá os parlamentares de ambas as Casas nos brindem com um mínimo de respeito à moralidade pública. É nesta circunstância que podemos chegar ao caso extremo de o presidente do STF virar provisoriamente presidente do Brasil, por uma razão simples: Calheiros parece estar tão metido em irregularidades quanto os demais companheiros da mais alta hierarquia política do país, o que o afastaria legalmente do Palácio do Planalto. Calheiros é detentor de um longo prontuário. Já teve de renunciar ao comando do Senado quando, em 2007, se descobriu que uma empreiteira amiga é que pagava as pensões que devia à namorada e à filha que tivera em relacionamento extraconjugal. Voltou anos depois “nos braços do povo”: foi reeleito senador por Alagoas, e, político habilidoso, retornou à presidência da Casa. Fez-se aliado da presidente Dilma Rousseff e tem garantido, ali, no seu reduto, as maiorias de que o Planalto precisa. Agora, porém, surgem mais evidências de que Calheiros poderá também ser tragado pela mesma lama que afoga seus parceiros. O célebre delator Nestor Cerveró, ex-diretor internacional da Petrobras, refere-se ao senador como alguém que nem usava “laranjas” e intermediários para exigir sua parte no butim das negociatas: em duas ocasiões teria agido pessoal e diretamente para cobrar as propinas a que teria “direito”. Em um dos termos de sua delação premiada, Cerveró diz que pagou a Calheiros e ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA) US$ 6 milhões referentes a operações na BR Distribuidora, uma das subsidiárias da Petrobras. Vêm à tona também outras negociatas de que o senador Renan Calheiros teria participado (há seis inquéritos em trâmite no STF), a ponto de o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo, ter determinado, no mês passado, a quebra de seus sigilos bancário e fiscal em razão de supostas fraudes na contratação do consórcio Estaleiro Rio Tietê pela Transpetro em 2010. Zavascki só contrariou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para uma ação de busca e apreensão na residência de Calheiros. Estranhável que, apesar de todo o longo histórico de evidências que pesam contra Calheiros, seu nome tenha sido até agora relativamente preservado. Ao contrário do que ocorre na Câmara Federal, onde Cunha é permanentemente fustigado pelos colegas, que pedem seu afastamento da presidência da Casa, não se nota movimento semelhante no Senado embora em pouco se diferenciem os comportamentos dos dois personagens. O destino mais imediato dos dois está na mão de seus pares. Dos senadores se espera que, no retorno do recesso, abram processo contra Calheiros no Conselho de Ética e que o façam tramitar rapidamente. Dos deputados, que acelerem o trâmite do processo já existente contra Cunha no Conselho de Ética da Câmara. Oxalá os parlamentares de ambas as Casas entendam a necessidade de defesa das instituições em detrimento dos interesses corporativistas e nos brindem com um mínimo de respeito à moralidade pública, quando da volta dos trabalhos do Legislativo. Esperamos que seja aplicada a regra estabelecida pela Constituição.
Antônio Scarcela Jorge.

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