REGIÃO METROPOLINA DE FORTALEZA
‘Estatística desoladora’
Criminalidade em alta
Do começo do ano até hoje, nada
menos, que 286 garotos e garotas menores de 18 anos foram executados
O ano de 2013 está pertinho de acabar. Faltam apenas 22 dias, mas já deixa uma triste marca nas estatísticas da Segurança Pública. A morte de dezenas de adolescentes. Pesquisa realizada pela Editoria de Polícia, baseada nos registros dos organismos policiais, aponta que, do dia 1º de janeiro até a noite de ontem (8), nada menos, que 286 adolescentes foram vítimas de homicídios dolosos (aqueles em que há a intenção deliberada de matar) na Grande Fortaleza. Estatística
O número já supera todo o ano de 2012, quando na mesma faixa etária (de 12 a 18 anos incompletos) e no mesmo território (Fortaleza e sua região metropolitana) foram contabilizados 229 casos. Isso representa uma elevação de 24,8 por cento entre os dois anos pesquisados.
O ano de 2013 está pertinho de acabar. Faltam apenas 22 dias, mas já deixa uma triste marca nas estatísticas da Segurança Pública. A morte de dezenas de adolescentes. Pesquisa realizada pela Editoria de Polícia, baseada nos registros dos organismos policiais, aponta que, do dia 1º de janeiro até a noite de ontem (8), nada menos, que 286 adolescentes foram vítimas de homicídios dolosos (aqueles em que há a intenção deliberada de matar) na Grande Fortaleza. Estatística
O número já supera todo o ano de 2012, quando na mesma faixa etária (de 12 a 18 anos incompletos) e no mesmo território (Fortaleza e sua região metropolitana) foram contabilizados 229 casos. Isso representa uma elevação de 24,8 por cento entre os dois anos pesquisados.
Segundo a Segurança Pública, a
maioria dos crimes envolvendo menores de idade acontece nas comunidades onde a
taxa de homicídio também é elevada. Em Fortaleza, se destacam nessa perversa
estatística bairros como a Barra do Ceará, Jangurussu, Vicente Pinzón, Genibaú,
Planalto Ayrton Senna, Praia do Futuro, Messejana, Pirambu, Bela Vista, Quintino
Cunha, Vila Velha e Pirambu.
Casos de adolescentes envolvidos
com o tráfico de drogas e que acabam mortos brutalmente já não são raros. Pelo
contrário, fazem parte do dia a dia do noticiário dos programas policiais da
tevê. Cenas de pais abraçados aos corpos de seus filhos virou uma rotina neste
cenário.
Do começo do ano até hoje, o mês que apresentou o maior número de assassinatos de adolescentes foi março, com 40 casos. Em seguida, setembro, quando foram contabilizados 34 homicídios na Grande Fortaleza.
Do começo do ano até hoje, o mês que apresentou o maior número de assassinatos de adolescentes foi março, com 40 casos. Em seguida, setembro, quando foram contabilizados 34 homicídios na Grande Fortaleza.
Houve casos em que, de uma só
vez, mais de um adolescente acabou sendo assassinado. Foi o que aconteceu, por
exemplo, na tarde do último dia 25 de novembro, no bairro Mangueiral, no
Município do Eusébio, quando a Polícia foi chamada para atender à uma
ocorrência caracterizada como ´achado de cadáver´. Em um terreno baldio,
moradores encontraram os corpos de um casal de jovens. Ambos foram mortos de
forma cruel. O rapaz recebeu, pelo menos, 11 tiros à queima-roupa. Ninguém da
vizinha reconheceu os mortos. A identificação oficial só aconteceu quase uma
semana depois na Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), órgão da Perícia
Forense do Estado do Ceará (Pefoce).
Eram os irmãos José Diogo de
Sousa Nascimento, que tinha 17 anos; e Pátila Nayara de Sousa Nascimento, de
apenas 14 anos. No mesmo dia, pela manhã, o rabecão recolheu na Rua Edson
Martins, no bairro Granja Lisboa, o corpo de outro garoto, identificado como
Carlos Sousa Moura, 16. E não ficou só nisso.
Horas depois do duplo assassinato no Eusébio, mais dois adolescentes foram assassinados na Grande Fortaleza. Um deles, mais uma garota, a estudante Ana Júlia Lima Alves, de 13 anos, morta com mais de 10 tiros na porta de casa, em Caucaia.
Especialista aponta as causas
"É uma violência racista, uma violência étnica. A juventude que morre no Brasil é negra, pobre, de periferia, sem formação escolar ou de baixa formação e moradora de periferia. E a grande maioria dos assassinatos é motivada pelo tráfico de drogas, porque o tráfico dá visibilidade, dá status, dá arma, dá uma nova relação com a comunidade, e faz com que as pessoas realizem seus desejos materiais e simbólicos de consumo". A declaração é do advogado e presidente da Associação dos Pais e Amigos das Vítimas da Violência (Apvv), Laércio Noronha Xavier, também professor de Direito Público.
Xavier faz uma exposição sobre o assunto. Para ele, "um menino que não tem uma oportunidade econômica, quando esta lhe é dada pelo tráfico de drogas, ele envereda por esse caminho. Ele não precisa necessariamente ser o traficante, ele pode ser o vapor, o fogueteiro, mas ele é o cara que vai acertar as contas (do tráfico), ele vai brigar pelo território, brigar por espaço. O tráfico é um empreendimento econômico".
Discussão
O advogado acredita que esta é a hora de a sociedade brasileira se voltar de forma profunda no questionamento sobre a legalização das drogas.
Horas depois do duplo assassinato no Eusébio, mais dois adolescentes foram assassinados na Grande Fortaleza. Um deles, mais uma garota, a estudante Ana Júlia Lima Alves, de 13 anos, morta com mais de 10 tiros na porta de casa, em Caucaia.
Especialista aponta as causas
"É uma violência racista, uma violência étnica. A juventude que morre no Brasil é negra, pobre, de periferia, sem formação escolar ou de baixa formação e moradora de periferia. E a grande maioria dos assassinatos é motivada pelo tráfico de drogas, porque o tráfico dá visibilidade, dá status, dá arma, dá uma nova relação com a comunidade, e faz com que as pessoas realizem seus desejos materiais e simbólicos de consumo". A declaração é do advogado e presidente da Associação dos Pais e Amigos das Vítimas da Violência (Apvv), Laércio Noronha Xavier, também professor de Direito Público.
Xavier faz uma exposição sobre o assunto. Para ele, "um menino que não tem uma oportunidade econômica, quando esta lhe é dada pelo tráfico de drogas, ele envereda por esse caminho. Ele não precisa necessariamente ser o traficante, ele pode ser o vapor, o fogueteiro, mas ele é o cara que vai acertar as contas (do tráfico), ele vai brigar pelo território, brigar por espaço. O tráfico é um empreendimento econômico".
Discussão
O advogado acredita que esta é a hora de a sociedade brasileira se voltar de forma profunda no questionamento sobre a legalização das drogas.
"Fundamentalmente, a gente
tem que discutir no Brasil uma nova relação com as drogas. O mundo hoje já
discute isso de uma forma madura, não preconceituosa. A droga tem que ser discutida
dentro de um processo da descriminalização do usuário, ela tem que ser
combatida dentro da visão empresarial. O grande traficante, dono das bocas de
fumo, não mora em bairro pobre, ele mora em bairro rico, tem boas condições
econômicas e faz esse trabalho do tráfico de forma empregatícia".
Xavier continua, "os adolescentes são as vítimas preferenciais da violência. Por isso merecem uma atenção redobrada da sociedade. São pessoas que estão morrendo e que nós estamos querendo botar na cadeia", afirma o advogado se referindo à:
Xavier continua, "os adolescentes são as vítimas preferenciais da violência. Por isso merecem uma atenção redobrada da sociedade. São pessoas que estão morrendo e que nós estamos querendo botar na cadeia", afirma o advogado se referindo à:
Discussão sobre a redução da maioridade penal.
"Esse é um discurso
complicado, porque é um discurso da maioria da população brasileira, que também
é contra qualquer processo de descriminalização da droga. A gente precisa sair
desse lugar comum, sair dessa discussão simplista e ir para uma discussão bem
mais avançada. Os adolescentes que estão sendo mortos ou cooptados pelo tráfico
são pessoas atraídas pela sedução do consumo. A maioria pertence a famílias
desestruturadas. É a mãe com três ou quatro filhos de pais diferentes. É a mãe
que está trabalhando e deixa os filhos à mercê da vizinha ou os deixa sozinho
porque não dispõe e nem tem condições de pagar uma creche ou uma escola em
tempo integral".
Para Xavier, essa violência que
pode ser identificada sob o ponto de vista espacial, é uma violência localizada.
"Se a gente tem o diagnóstico do problema, se a gente tem os dados, então,
está na hora de resolvê-lo".
O envolvimento de adolescentes no
tráfico de drogas e noutros delitos é o principal motivo das elevadas taxas de
homicídios desta faixa etária. Conforme as autoridades, cada vez mais, os
garotos com idades entre 12 e 18 anos incompletos se envolvem em delitos que
têm como pano de fundo a necessidade de obter dinheiro para comprar drogas.
"Para obter o dinheiro
necessário para comprar drogas, os menores assaltam, furtam, traficam,
sequestram e até matam", conta um delegado de Polícia que preferiu se
manter no anonimato. Conforme ele, somente neste ano, mais de dois mil
procedimentos já foram realizados na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA)
de Fortaleza.
Infracionais
Os dois mil procedimentos se referem a atos infracionais das mais diversas modalidades. No entanto, prepondera nestas estatísticas os casos de assaltos (roubos). Adolescentes também se envolvem, cada vez mais, em episódios de saidinhas bancárias e sequestros-relâmpagos em Fortaleza, principalmente. Com a função de definir que medidas socioeducativas serão aplicadas àqueles menores que praticam atos infracionais, o juiz de Direito Manuel Clisteres e Façanha realiza, diariamente, dezenas de audiências em que ouve relatos das mais diferentes histórias de garotos envolvidos no mundo do crime. Não são raros os casos em que os adolescentes apreendidos já tiveram muitas outras passagens anteriores pela própria DCA e pelos centros destinados ao cumprimento de internação.
Os dois mil procedimentos se referem a atos infracionais das mais diversas modalidades. No entanto, prepondera nestas estatísticas os casos de assaltos (roubos). Adolescentes também se envolvem, cada vez mais, em episódios de saidinhas bancárias e sequestros-relâmpagos em Fortaleza, principalmente. Com a função de definir que medidas socioeducativas serão aplicadas àqueles menores que praticam atos infracionais, o juiz de Direito Manuel Clisteres e Façanha realiza, diariamente, dezenas de audiências em que ouve relatos das mais diferentes histórias de garotos envolvidos no mundo do crime. Não são raros os casos em que os adolescentes apreendidos já tiveram muitas outras passagens anteriores pela própria DCA e pelos centros destinados ao cumprimento de internação.
Há também aqueles casos mais
inusitados, em que pais de adolescentes envolvidos em atos infracionais graves
pedem ao juiz para que seus filhos sejam recolhidos nos centros, como forma de
alívio para a família e de evitar que tais garotos sejam as próximas vítimas de
assassinatos. A Reportagem também já constatou casos em que os próprios menores
pedem o internamento, para não morrer na rua.
Fernando
Ribeiro
Editor de Polícia
Fonte: - CADERNO
POLÍCIA – DN. EDIÇÃO DE 09.11.2013
Opinião:
Especialistas, autoridades do
governo, sociólogos, políticos inclusive “comandos militares” apontam as causas
onde insistem em teses que vão sempre em determinas sociais. Entretanto não
encontram solução, transformando em atestado de “inaptidão” e ausência de
encargo, quando deveriam se estabelecer no fiel cumprimento do dever, enquanto
a sociedade clama no sentido de minimizar os efeitos que atinge diretamente o
dolo, para reversão de uma excessiva carga de impostos em que ela é chamada
para cumprimento de um dever de cidadania.
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