sábado, 18 de maio de 2013

COMENTÁRIO - SCARCELA JORGE - 18 DE MAIO DE 2013



COMENTÁRIO
Scarcela Jorge.

LEGISLAÇÃO INAPLICADA
‘Transparência uma questão de cultura e/ou desleixe dos políticos’


Nobres:
Um fato que chamou atenção da sociedade política foi a votação da MP dos Portos pelo Congresso Nacional dominou o noticiário nesta semana e acabou deixando com pouca evidência um assunto de grande relevância. Ontem a Lei de Acesso à Informação Pública celebrou um ano de validade. Mas não foi com boas notícias. A lei ainda não é cumprida integralmente, nem conseguiu consolidar um ambiente de ampla transparência pública. Os pedidos realizados com base na Lei de Acesso, mas menos da metade das solicitações recebeu respostas satisfatórias. Segundo em um terço dos pedidos os órgãos públicos consultados não se manifestaram no prazo de 20 dias estabelecido pela legislação. A dificuldade em fiscalizar o cumprimento da lei tem permitido que órgãos públicos se recusassem a divulgar informações que lhes são inconvenientes de verem publicadas. Para reverter esse quadro, só uma fiscalização ampla, especialmente por parte dos tribunais de contas, onde o TCM-CE, conforme os seus anúncios vem se manifestando e atuando com firmeza sem o fortalecimento “otimizado” da transparência. Já no que diz respeito à ampliação da cultura da transparência na administração pública, é preciso ressaltar o trabalho da Controladoria-Geral da União, que tem feito um esforço considerável para disseminar ideias e práticas a respeito do tema. Mas pensar que a transparência pública vai acontecer apenas pelo esforço dos órgãos fiscalizadores é tão ingênuo quanto acreditar que o conflito entre os parlamentares na votação da MP dos Portos ocorreu porque eles estavam defendendo nobres convicções partidárias. O que vai fazer ruir a cultura do sigilo dos órgãos públicos será a atuação dos cidadãos, da imprensa, das organizações não governamentais (ONGs) e das universidades. Se as ONGs e a imprensa têm desempenhado um papel mais combativo em favor da transparência pública, o mesmo não se pode dizer do mundo acadêmico e dos cidadãos. Falta uma cultura de discussão e pesquisa sobre o assunto. Faltam reivindicações de cidadãos para uma abertura mais incisiva do Estado. Enquanto isso não acontecer, a transparência será um precioso mito do Estado do século 21 a serviço da classe política.
Antônio Scarcela Jorge.


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