quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O COTIDIANO DO GOVERNO - TCU PEDE EXPLICAÇÕES - PODE SER INDÍCIO DE IRREGULARIDADES

 TCU PEDE AO GOVERNO EXPLICAÇÃO SOBRE CONTRATAÇÃO DIRETA DA PETROBRAS.

Contratação foi anunciada em junho para exploração de campos do pré-sal. Decisão pode render até R$ 15 bilhões à União.

O Tribunal de Contas da União (TCU) quer que o governo explique a decisão, tomada no final de junho, de contratar a Petrobras, sem licitação, para explorar o volume excedente de óleo em quatro campos de petróleo do pré-sal: Búzios (antigo campo de Franco) Entorno de Iara, Florim e Nordeste de Tupi. A previsão é que a operação possa render R$ 15 bilhões aos cofres da União.

Em despacho do dia 30 de setembro, o ministro do TCU José Jorge determina que o Ministério de Minas e Energia explique a contratação direta da Petrobras e demonstre os benefícios da decisão tomada pelo governo.

A Petrobras já tinha desde 2010 autorizações para retirar óleo dessas áreas, mas com produção de 5 bilhões de barris, sob contrato de cessão onerosa (em que se paga pelo direito de explorar). Porém, estudos apontaram capacidade bem superior de extração, de 10 a 14 bilhões de barris a mais, e o governo decidiu, em junho, contratar a estatal para explorar esse volume excedente. Além disso, a contratação foi feita em um regime diferente, chamado de partilha, em que o lucro da produção é dividido entre as empresas produtoras e a União.

Pela decisão, a União receberia ainda em 2014, R$ 2 bilhões pelo bônus de assinatura do contrato com a Petrobras. Além disso, o governo pode optar por antecipar, entre 2015 e 2018, uma parte dos valores do óleo a que tem direito. Essa antecipação é estimada em cerca de R$ 13 bilhões.

Na época do anúncio, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, negou que o objetivo da decisão de contratar a Petrobras sem licitação seja aumentar e antecipar recursos para melhorar a arrecadação do governo. Segundo ele, abrir a exploração dessas áreas a outras empresas poderia atrasar os projetos e trazer risco jurídico aos contratos.

Esclarecimentos.

O despacho do ministro José Jorge pede também que o ministério aponte os ganhos esperados com produção dos volumes excedentes e justifique, “considerando tratar-se de contratação direta para atividades de produção em áreas com fase exploratória concluída, para inclusão de valor de bônus de assinatura e previsão de antecipação de receitas no contrato, bem como para ausência, nos estudos econômicos, de avaliação acerca da razoabilidade da parcela do excedente em óleo estimada para remuneração da contratada Petrobras”.

O despacho ainda pede que seja encaminhada ao TCU uma “análise acerca dos riscos, desafios e outras implicações” para o governo “do gerenciamento de dois regimes de contratação simultâneos nas mesmas áreas de produção sessão onerosa e partilha”.

Fonte: G1 – Brasília DF.


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