terça-feira, 28 de outubro de 2014

ECONOMIA INTERNACIONAL - DESCONFIANÇA NO GOVERNO - PREGÃO BOVESPA

 BOLSA CAI 2,77%, E DÓLAR ATINGE MARCAS HISTÓRICAS.

As ações preferenciais da Petrobras tiveram a queda mais expressiva, com desvalorização de 10,92%, a R$ 14,52.

São Paulo. No primeiro pregão após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou o dia com desvalorização de 2,77%, em 50.503 pontos, puxada pela queda recorde das ações da Petrobras.

O dólar subiu para níveis historicamente altos. A moeda à vista, referência no mercado financeiro, subiu 2%, alcançando R$ 2,5211, maior cotação desde 29 de abril de 2005. O comercial, usado em transações do comércio exterior, fechou o dia em R$ 2,523, com alta de 2,64%, a maior variação desde setembro de 2011.

O volume financeiro no pregão foi de R$ 16,8 bilhões, acima da média do mês de outubro, que é de R$ 10,7 bilhões até o dia 23. Para analistas, o reflexo da eleição no mercado foi menor do que o esperado. Isso porque, dizem, o mercado não trabalhava com níveis tão altos, preparando-se para a vitória da presidente Dilma. Além disso, a sinalização de mais diálogo com o mercado também contribuiu para a redução das perdas durante o dia.

Mas o dia começou com estresse. Logo após o leilão inicial de ações, papéis de estatais derretiam na Bolsa brasileira, que chegou a cair mais de 6% no Ibovespa, às 10h20, quando o índice atingiu a marca de 48.722 pontos. Ao longo do dia, essa queda brusca se reverteu.

Na visão de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora, um dos motivos de a queda ter sido menor do que imaginava a média do mercado foi o fato de o mercado não estar trabalhando tão alavancado.

"A média do mercado já trabalhava com a hipótese de vitória da Dilma, então não tentou antecipar com muito volume uma eventual vitória do Aécio e, por isso, o mercado não abriu no pânico que se esperava", disse.

Para o analista analista-chefe da Spinelli Corretora, Elad Revi, a sinalização da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) de que quer se aproximar do mercado, além da possibilidade de mudanças na política econômica, fizeram com que a queda da Bolsa brasileira não se acentuasse durante todo o dia. "A sinalização passa credibilidade, mas ainda não é algo efetivo", pondera.

Além disso, o mercado já tinha precificado a vitória da presidente Dilma, com a Bolsa amargando pesada queda na semana passada. Como o mercado vai se comportar daqui para a frente vai depender da definição da equipe econômica.

Petrobras despenca

Das 70 ações negociadas na BM&FBOVESPA, 52 fecharam em baixa e 18 em alta. No "kit eleições", as ações preferenciais da Petrobras, as mais negociadas, tiveram a queda mais expressiva do dia, com desvalorização de 10,92%, a R$ 14,52, e os papéis ordinários - que dão direito a voto- registraram queda de 10,38%, a R$ 14,07.

As ações ordinárias da Eletrobrás encerraram em queda de 10,20%, a R$ 5,46. E as ações do Banco do Brasil caíram de 5,24%, a R$ 24,40.

Câmbio

A alta do dólar durante esta segunda-feira, primeiro dia de negócios depois da reeleição da presidente Dilma Rousseff, ficou aquém das expectativas do mercado. A avaliação é do especialista em câmbio da Icap Brasil, Ítalo Santos.

"O mercado esperava um estresse maior, mas o investidor estrangeiro continua colocando dinheiro no País para pegar essa taxa de juros alta", afirma.

Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio, da Treviso Corretora, concorda que a presidente tem que ser rápida em algumas atitudes, como na escolha do ministro da Fazenda. "É importante ela mostrar que está atenta aos anseios do mercado e do Brasil inteiro", afirma.

Opinião do especialista

Até onde o câmbio pode ir?

Na verdade, faz tempo que o dólar precisava ser corrigido (em relação ao real). A alta de hoje (ontem), o mercado já esperava, mas chegar aos R$ 2,70, como alguns analistas chegaram a preconizar, acho exagero. No momento, diante de tantas indefinições políticas e econômicas, é difícil fazer uma projeção para o preço futuro da moeda americana no Brasil, até porque não sabemos quanto o governo injetou (vendeu) hoje (ontem), e quanto pretende injetar de dólar na economia, assim como já vinha fazendo para evitar uma disparada da moeda. E isso vem ocorrendo porque quanto maior, mais alto o valor do dólar, mais impactos gera na inflação, tendo em vista que ainda temos muitos produtos com componentes e insumos importados. No entanto, avalio que chegaremos ao fim do ano com o dólar a R$ 2,60, até porque o real está se depreciando e o dólar sendo valorizado no mundo todo, em decorrência da recuperação da economia americana. Mas o (preço) limite está atrelado às políticas econômicas a serem anunciadas pelo novo governo Dilma. Serão medidas ortodoxas, claras, que o mercado já espera, ou virão medidas heterodoxas? Para tranquilizar o mercado, a primeira medida a ser adotada é indicar logo o ministro da Fazenda.
Fonte: Reuters.


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