sábado, 5 de março de 2016

"FIDEL CASTRO BRASILEIRO" PENSA ESTÁ ACIMA DA LEI


CONDUÇÃO DE LULA É ILEGAL, DIZ PT; PARA OPOSIÇÃO, ELE NÃO ESTÁ ACIMA DA LEI.


Nova fase da Lava Jato mirou o ex-presidente, que prestou depoimento.
Ministério Público investiga se ele se beneficiou de esquema de corrupção.


O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), criticou nesta sexta-feira (4) a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor na 24ª fase da Operação Lava Jato. Ele classifiicou a ação de “ilegal” e “política”. 

Segundo o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), a ação da Polícia Federal foi um "espetáculo arbitrário".

Para a oposição, o episódio mostra que “ninguém está acima da lei”, segundo palavras do líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM). Pelas redes sociais, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, principal partido de oposição e derrotado na eleição presidencial do ano passado, afirmou que os indícios de que o PT cometeu crimes “estão vindo à luz”.

Deflagrada em março de 2014, a Lava Jato investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Nesta etapa, a Polícia Federal (PF) faz buscas na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, e em outros pontos em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia. O Instituto Lula também foi alvo da ação.

Perto das 8h40, Lula foi levado para o Aeroporto de Congonhas, em um carro descaracterizado, para depor à PF. Ele não foi preso. Às 8h51, ele prestava depoimento dentro do aeroporto.

O Instituto Lula nega acusações de irregularidades e afirmou em nota que a ação da PF é "arbitrária, ilegal e injustificável". O instituto também afirmou que a entidade e o presidente Lula "sempre prestaram todas as informações solicitadas pelas autoridades".

“Hoje, mais uma etapa da Operação Lava Jato confirma que é uma operação ilegal e política, que ataca o Lula, o PT e, principalmente, as conquistas populares”, criticou Florence.
Na avaliação dele, a ida obrigatória de Lula para depor é ilegal porque o ex-presidente já prestou esclarecimentos e não há provas.

“É ilegal porque o ex-presidente Lula já, sucessivas vezes, prestou depoimentos e não há dúvidas com relação a comprovação documental e a busca de pista em relação ao apartamento e ao terreno são malogradas, não existe pista, menos ainda, prova”, disse em relação ao triplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, ambos no estado de São Paulo. A PF investiga se Lula seria o real dono dos imóveis.
<esse aí será que tem força moral!

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), defendeu Lula e disse se tratar de um "espetáculo arbitrário" levá-lo para depor.

"Aos companheiros e companheiras de jornada: o que foi feito hoje com Lula, é um espetáculo arbitrário e uma ameaça a ordem democrática!", escreveu Guimarães. "Toda a nossa solidariedade a quem realizou uma verdadeira mudança no Brasil começando por mudar a vida dos brasileiros", disse.

Para a deputada federal Jandira Feghali (PCdo-RJ), a condução de Lula foi uma “ilegalidade travestida de legalidade”. Na opinião dela, ao organizar uma grande operação para levá-lo para depor, a PF quis garantir “a foto”, “a espetacularização”.

“É importante dizer que se trata de ilegalidade travestida de legalidade. Eles queriam a foto, a espetacularização, a desconstrução moral do Lula. Isso é medo de urna”, disse, acrescentando que o ex-presidente nunca se negou a prestar esclarecimentos.

O senador Telmário Mota (PDT-RR) classificou como "exagero" a condução coercitiva para depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O nosso questionamento é: por qual motivo o presidente não foi convidado a depor de forma natural? Segundo o próprio delegado da PF essa ação já estava prevista desde dias anteriores. Se ele errou, ninguém tá acima da lei. Mas porque não convidam ele como convidam qualquer cidadão? Me pareceu que teve exagero", disse.

Oposição.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), apontou "crimes" do PT em mensagem postada no Facebook.

“O avanço da Operação Lava Jato é um passo definitivo para que os brasileiros possam ter acesso a verdade que há muito tempo vem sendo sonegada ao país. O dia de hoje exigirá de todos nós coragem e serenidade. 

Os graves indícios de irregularidades e crimes cometidos à sombra do projeto de poder do PT finalmente estão vindo à luz. Vamos continuar apoiando as investigações. O Brasil merece conhecer a verdade”, disse Aécio em nota publicada no Facebook.

Líder do DEM na Câmara, o deputado Pauderney Avelino (AM), lamentou que a ação tenha como alvo um ex-presidente da República, mas ressaltou a importância de ninguém ser considerado acima da lei.

“O que nós vimos hoje não é motivo para se comemorar a condução coercitiva de um ex-presidente da República, mas devemos nos congratular pelas instituições que estão funcionando no Brasil”, disse.

O deputado afirmou ainda que lamenta que um ex-presidente esteja passando por essa situação, mas ressaltou que o estado de direito de continuar vigorando no país. 

“Nós, da oposição, entendemos que o estado democrático de direito tem e deve continuar funcionando no país, mas lamentamos que um ex-presidente estivesse nessa situação. Nem ele está acima da lei”.

Ele defendeu ainda a convocação do ex-presidente para depor na CPI do Carf, que deve ser instalada na Câmara na semana que vem.

O líder do PSDB no Senador, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), disse que a solução para a crise política no país é a realização de novas eleições.

“Novas eleições, a partir de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, ao nosso entender, é a melhor saída para o Brasil, porque devolve à soberania popular, através do voto, a saída para a crise”, afirmou o senador.

Para o presidente nacional do Democratas, senador Agripino Maia (DEM-RN), o momento é “gravíssimo”. Ele pediu a união de políticos para  uma troca no comando do Planalto.

“Convoco governadores e prefeitos para que tomem uma posição. O momento é gravíssimo. E não adianta imaginar que a solução vai sair pela via do PSDB, do DEM, do PPS, do PV, sai pela união de forças de governadores, de prefeitos, da classe política e das instituições. Trata-se de uma empreitada de salvação nacional. Precisamos da troca de governo. Com o governo que está aí o Brasil não sai da crise”, disse Agripino.

O líder do Solidariedade na Câmara, Genecias Noronha (CE), disse, em nota, que não se deve ficar "execrando" ninguém, mas que as acusações são "gravíssimas".

"As denúncias são gravíssimas. É evidente que todas as informações devem ser investigadas. Não vamos aqui ficar execrando A ou B, independente do partido ou de sua influência. A Polícia Federal tem feito um trabalho espetacular, mostrou para todo o Brasil que ninguém está acima da lei", afirmou.

Investigações.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a ação foi deflagrada para aprofundar a investigação de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de desvios da Petrobras, praticados por meio de pagamentos dissimulados feitos por José Carlos Bumlai e pelas construtoras OAS e Odebrecht ao Lula e pessoas associadas.

Há evidências de que o ex-presidente recebeu valores oriundos do esquema descoberto na Petrobras por meio de um apartamento triplex do Condomínio Solaris. O avanço das investigações revelou evidências de que o ex-presidente recebeu, em 2014, pelo menos, R$ 1 milhão sem aparente justificativa econômica lícita da OAS para reformas e móveis de luxo.

Existe a suspeita também de que Lula tenha sido beneficiado com obras no sítio em Atibaia e com a armazenagem de bens por transportadora. Ainda são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras.
Fonte: G1 – DF.

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