quinta-feira, 20 de agosto de 2015

COMENTÁRIO SCARCELA JORGE - QUINTA-FEIRA, 20 DE AGOSTO DE 2015

COMENTÁRIO­
Scarcela Jorge.

“DIVORCIADA” SOBRE O PROTESTO DAS RUAS.

Nobres:
O Brasil apresentou domingo passado nas ruas das capitais e de muitas cidades médias, a demonstração de uma das mais consagradas expressões da cidadania. Mesmo sem a potência de ocasiões anteriores, pela terceira vez neste ano a população, contrariada com a situação da política e da economia, verbalizou a condenação dos corruptos, com críticas diretas aos desmandos do governo e em especial à figura da presidente Dilma Rousseff. O Brasil indignado reforçou um recado que se estende a outros setores da vida pública e deve ser compartilhado principalmente com o Congresso. A combinação dos ambientes de estagnação econômica e de corrupção levou multidões a passeatas que, desta vez, tiveram peculiaridades a serem destacadas. Ficou evidente, como marca da maioria dos protestos, a exaltação da figura do juiz Sergio Moro, que coordena os processos da Operação Lava-Jato e cujo desempenho vem sendo reconhecido inclusive no Exterior. As faixas e cartazes com referências ao magistrado devem ser vistos como manifestação de confiança em uma autoridade que passa a personificar a autonomia e a independência da Justiça, um dos pilares da democracia. Também merece registro o fato de que, mais desta vez do que nos protestos de março e abril, os manifestantes acolheram a participação de políticos. Mas a grande característica em comum, desta e das outras marchas, foi o fato de que a população desfrutou o direito de se manifestar de forma pacífica, sem que incidentes graves de violência ou intolerância tenham sido registrados. Com algumas manifestações localizadas pró-governo foi ratificada também a possibilidade da diversidade de pontos de vista, mesmo em cenários que, eventualmente, possam ter maioria de oposicionistas como era claramente o ambiente de domingo passado em um todo país. Cabe aos políticos avaliar os recados que os manifestantes têm apontado de forma categórica. A mensagem mais enfática é de que o esforço para a recuperação da economia não será suficiente para acalmar o país. O que os brasileiros desejam, e não só os que foram às ruas, é o combate implacável à corrupção. Um governo fragilizado pela sucessão de escândalos e pelo mais baixo nível de aprovação da história não pode, a partir de avaliações sobre o número de participantes, enganar-se com o fato de que as passeatas não teriam superado as de março e abril. O Executivo e os demais poderes terão de oferecer respostas às manifestações de domingo passado, para que a expectativa de mudanças não dependa apenas das virtudes da Justiça, mas da vontade explicita do povo.
Antônio Scarcela Jorge.

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